De volta ao passado
Ontem fui dormir e pensei um
pouco na minha infância. Brinquei de muita coisa legal. Pula corda, sete
pecados, tica ajuda, tica cola, pião, peteca, bola, bila (bola de gude),
garrafão, queimada, Cai no poço, passa anel, tica fruta, mamãe mandou, carrinho
de lata, rolo (feito com lata de leite), Breque, patinete (com rolamento de
carro), esconde-esconde, cuscus, policia e ladrão, casinha, circo (sempre eu
era o palhaço), baladeira, bolo na areia, carrinho, bonecos, fazendinha. Também
rolei muito pneu em ladeira, corrida, trave a trave, cascudinho, dominó, dama,
jogo de botão, boi passa, construtor de barraca. Juntava toda a molecada e cada um trazia um ingrediente para fazermos o
sopão. Que no fim de tudo a comunidade toda se reunia na sexta-feira para comer
e participar da sopa.
Era muito bom. Todo mundo
brincava, se divertia. Ninguém tinha, Iphone, IPode, Ipad, Tablet,
Computadores, carros de controle remoto, era item de ricos. Ninguém tinha vídeo game,
até porque o nosso maior divertimento era se sujar na terra molhada, encher os
pés de terra e entrar dentro de casa, para ouvir o grito da mãe: “EU ACABEI DE
LIMPAR A CASAAAA!”. De fato não era nada divertido ficar em casa. No entanto
esse era o nosso maior castigo. Quando a nota era baixa, já sabíamos que ficaríamos
o resto da semana em casa.
Nunca precisávamos comprar um
Kinder Ovo, pra conseguir um brinquedo surpresa. Bastava nos comportarmos bem, para
nossos pais, nos presentearem com bolas (no caso das meninas BONECAS). Essa era
a melhor coisa do mundo. Não tínhamos celulares que tocam toda hora, o nosso
celular era a nossa mãe, que nos rastreavam via satélite, com um GPS que toda
mãe tem. E o grito que a mãe dava da porta de casa, alertava-nos que era hora de
entrar pra tomar banho, comer, essas coisas. Mas, sempre negociávamos 10
minutos a mais.
Quero voltar ao passado, quando a
modernidade não tinha tanta força. Onde o convívio com os coleguinhas, era
muito melhor do que 3000 amigos nas redes sociais. Quero voltar ao passado onde
se escrevia recadinhos nas folhas de caderno e mandava em segredo para a
coleguinha paquerada. Quero voltar ao passado, onde tudo se arranjava, com um
simples “desculpe-me!”. Quero voltar ao passado onde o ar que puxamos para os
pulmões era muito mais puro. Quero voltar ao passado por que no passado existem
coisas que marcaram a minha vida. Quero voltar ao passado, porque lá eu tinha
muito mais sonhos. Quero voltar ao passado porque no passado tomávamos banho
nas primeiras chuvas e ninguém adoecia com tanta facilidade. Quero voltar ao passado que eu saía para
brincar na rua, e ninguém mexia comigo. Quero voltar ao passado onde a violência
não era tão intensa. Quero voltar ao passado onde fazia bolhas nos pés, por
jogar na quadra quente descalço.
Se eu voltasse ao passado, seria
muito bom. E se um dia eu sentisse falta do futuro (hoje) escreveria um
telegrama mandando felicitações.
QUERO VOLTAR AO PASSADO!


